Texto de Kathia Alves: O minucioso trabalho de pesquisadora iconográfica e estudiosa da história do livro ilustrado leva-me a ouvir a voz que emana das imagens como se fosse um eco dos pensamentos escritos.
Para maiores informações sobre meu trabalho consulte os links:
Resumo do artigo: Nem sempre a arte celebrou a memória de homens ilustres, algumas vezes as pinceladas impiedosas de artistas mercenários condenaram homens à morte.
No presente texto realizar-se-à um extrato sobre a arte do retrato nas condenações infamantes na Itália dos séculos XIV e XVI.
O Pincel do Carrasco
A idéia de “extimatio” dos antigos romanos, ou seja a importância do indivíduo no seio do grupo, influenciou profundamente o conceito de “fama” e de “infâmia”, que penetrou no tecido cultural das populações dominadas pelo império, passando da Idade Média à Idade Moderna, chegando a sensibilizar os nossos dias.
Este conceito incidirá com particular intensidade no código de honra dos cavalheiros medievais, condicionando as ações da nobreza, sem poupar porém as demais categorias sociais.
No norte da Itália setentrional, o conceito de fama e infâmia encontrou eco nos sermões dos religiosos do mundo rural e na poesia humanística, inspirada nos modelos da antiguidade clássica, tanto apreciada pelos artistas e eruditos do século XIV e XV.
Entre os estudiosos da literatura latina, da filosofia e cultura clássica daquele ambiente, destaca-se o poeta Francesco Petrarca, que através dos seus versos recordava às gerações que, tanto a fama como a infâmia podem ser vencidas somente
pelo tempo, porque enquanto as ações e as obras positivas ou negativas permanecerem acesas na memória da humanidade, as imagens destes conceitos permanecerão vivas.
Assim sendo, a imagem da boa reputação era uma chave vital para a aceitação do indivíduo e afirmação dos seus direitos na sociedade.
Quando a opinião pública reconhecia as qualidades do indivíduo, fosse pela função que ocupava, pelas obras ou ações realizadas, pelo ambiente que frequentava ou pela situação econômica: era-lhe conferida a estima popular, e a fama garantia-lhe credibilidade e favores.
A imagem positiva concedia ao indivíduo o direito de ocupar cargos de confiança, ser testemunha em processos, receber empréstimos, possuir propriedades, em suma, favorecia o pleno exercício de cidadania. Em certos casos, o reconhecimento da boa
reputação era celebrado publicamente com monumentos, estatuas, retratos em igrejas, prefeituras e universidades.
Porém, quando a reputação era enlameada por traição política, evasões fiscais, banca rota, fraude, furto ou assassinato, a opinião pública negava ao indivíduo os direitos civis e jurídicos, condenando-lhe a morte ou à marginalização, que era como morrer em vida, pois o réu perdia os direitos de cidadania e as possibilidades de sobrevivência.
A imagem do indivíduo devastada pela infâmia projetava-se como um fantasma sobre os familiares, sobre amigos e conhecidos, que para sobreviverem eram obrigados a distanciar-se do réu.
O condenado que conseguia fugir em exílio, procurava refugiar-se no anonimato.
Porém, da mesma maneira que o poder público valia-se da arte para comemorar os cidadãos ilustres, as autoridades jurídicas interessadas em manter viva na memória dos indivíduos, a infâmia do condenado, comissionavam a artistas de segunda grandeza, o retrato do infamado. Esta pena por “contumacia” ou em linguagem corrente, por ausência do réu, era executada com pinceladas vivazes sobre os muros externos de um edifício público ou na fachada da casa do condenado.
O carrasco, armado de palheta e pincel, protegendo a sua identidade no manto da noite, realizava com perícia e rapidez a imagem do condenado sofrendo a sansão em poses grotescas ou ofensivas.
O escárnio e o horror eram alguns dos principais elementos deste tipo de pena, de modo particular, no caso dos réus por traição, representados frequentemente como aqueles que traíram e renegaram Cristo, portanto enforcados como Judas ou de cabeça para baixo como no martírio de S. Pedro.
Por isto, a representação mais comum dos traidores era pendurados pelos pés ou pelos órgãos genitais, enquanto torturados por figuras diabólicas, como se vê no detalhe do afresco do inferno realizado por Giotto na Capela dos Scrovegni em Pádua e no particular dos idolatras no afresco do inferno de Giovanni da Modena, na Capela Bolognini da Basílica de São Petrônio em Bolonha. Outra imagem de traidor muito difusa no período è a figura do Enforcado no jogo do Tarô, como se encontra no maço do século XV que pertenceu a família Visconti-Sforza de Milão.
Porém, nem sempre as pinturas infamantes eram representações de penas não consumadas. Muitas vezes o pincel do carrasco descrevia as terríveis torturas e a morte do réu, com a intenção de prolongar a pena da infâmia sobre a imagem do morto, utilizando-o como exemplo moralizador para a população.
Estas imagens, que podiam permanecer nos muros dos prédios por muitos anos, podiam também serem julgadas e reavivadas com tintas frescas para se manterem vivas por longo tempo, ou ao contrario, serem anistiadas e finalmente canceladas.
A arte que imortalizou o retrato e a fama de ilustres cidadãos através de pinturas, esculturas e medalhas, realizadas por grandes artistas, condenou também à infâmia inúmeros outros cidadãos com terríveis retratos denegridores, executados com severas pinceladas de artistas menosprezados, diminuídos pela função de carrasco.
Porém a roda da fortuna concedeu alguns indultos a estes artistas, como é o caso de Andrea del Sarto, que realizou alguns desenhos para pinturas infamantes ao serviço da justiça. Contudo, contrariamente às suas vitimas, o artista recebeu o reconhecimento de grande mestre da pintura, gozando de fama entre as gerações que seguiram seu trabalho.
Fig. 1 e 2)- Giotto di Bondone (1267-1337).
Detalhe do inferno, no afresco do Juízo Universal de Giotto na Capela dos Scrovegni
Sites para criar uma apresentação sem usar o PowerPoint
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"O Ponto e a Linha" é um filme de animação dirigido por Chuck Jones (1965) e baseado no livro homónimo de Norton Juster (1963). O título deste livro é uma referência óbvia ao livro Flatland: Um Romance de Muitas Dimensões de Edwin Abbott.
O que pode fazer uma linha recta quando se apaixona por um ponto volúvel? Como reagir perante a adversidade de um amor não correspondido? Poderá a linha recta mudar de direcção? Quais são as potencialidades de uma linha com muita perserverança? Como uma linha pode se exprimir?
segundo um novo estudo científico, obras de arte dão tanta alegria a mente humana quanto as emoções do amor.
Pessoas foram submetidas a tomografias do cérebro ao mesmo tempo que viam uma série de 30 pinturas de alguns dos maiores artistas do mundo.
As obras consideradas mais bonitas aumentaram em 10% o fluxo sanguíneo em uma determinada parte do cérebro, o que equivale a olhar para um ente querido.
Pinturas de John Constable, Ingres, pintor neoclássico francês, e Guido Reni produziram respostas mais intensa de "prazer" nos participantes.
Obras de Hieronymus Bosch, Damier Honore e Massys artista flamengo - consideradas feias pelos participantes - levou a um menor fluxo sanguíneo.
Outras pinturas foram mostradas, obras de artistas como Monet, Rembrandt, Leonardo da Vinci e Cézanne.
O professor Semir Zeki, neurocientista da University College London, que conduziu o experimento, disse: "Queríamos ver o que acontece no cérebro quando você olha belas pinturas.
"O que descobrimos é quando você olhar para a arte - se é uma paisagem, uma natureza morta, abstrata ou um retrato - há uma forte atividade na parte do cérebro relacionada ao prazer.
"Nós colocamos as pessoas em um scanner e mostramos uma série de pinturas a cada dez segundos. Em seguida, medimos a alteração do fluxo sangüíneo em uma parte do cérebro.
"A reação foi imediata. Observamos que o aumento no fluxo sangüíneo é proporcional ao o quanto a pintura foi apreciada.
"O aumento do fluxo sanguíneo ao ver uma bela pintura é o mesmo de quando você olha para alguém que você ama. Diz-nos o professor Semir Zeki "a arte provoca uma boa sensação no cérebro."
O teste foi realizado em dezenas de pessoas, que tinham pouco conhecimento sobre arte e, portanto, não estariam influenciadas por modismos.
A ressonância magnética (RM) mediu o fluxo sanguíneo no córtex órbito-frontal, parte do cérebro associada ao prazer e ao desejo.
O estudo será revisado e publicado em uma revista acadêmica no final deste ano (2011).
Professor Zeki acrescentou: "Estamos dando verdade científica ao que é conhecido há muito tempo - que belas pinturas nos fazem se sentir muito melhor".
"Mas o que não percebiamos antes destes estudos é o quão poderoso é o efeito da arte sobre o cérebro."
O estudo evidencia também a necessidade da arte estar cada vez mais disponível ao público em geral.
O presente artigo desenhará um breve percurso para a reflexão dos principais fatores que concorreram para que a arte do retrato tivesse seu apogeu no século XV.
O Espelho do Ego.
A antiga tradição clássica, greco-romana de representar realisticamente a figura humana, retorna com renovado vigor entre os séculos XIV e XVI.
Neste arco de tempo, definiram-se todos os cânones de representação da figura que influenciarão o género do retrato nos séculos vindouros.
É oportuno ressaltar que neste período, tal como na antiguidade clássica, o florescimento da arte do retrato coincide com a afirmação do “individuo” numa sociedade que cresce e se enriquece, graças à ação humana.
Isto verificar-se-á claramente a partir do século XII, quando a sociedade feudal emerge pouco a pouco da depressão das invasões barbáricas que provocaram a queda do império romano e caracterizaram a alta idade média.
Apesar dos episódios de peste, guerras e carestias, o homem do século XV é plenamente consciente do seu potencial, da importância do próprio trabalho para o incremento da nova dinâmica urbana, e não se submete as eventualidades, procurando construir o próprio destino.
A pesquisa, o progresso técnico, tecnológico e económico que favoreceu a acumulação do capital mercantil e gerou a classe burguesa, fez com que o homem se sentisse co-autor da criação divina.
Os grandes mestres da pintura, como Jan van Eyck, entraram nesta dinâmica, dedicando minuciosa atenção ao virtuosismo técnico e elaborando uma narrativa pictórica cientifica, aderente à realidade. Porém, serão as gerações de artistas do final daquele século a darem vida às obras através de cuidadosos estudos de perfis psicológicos e morais, fazendo com que as imagens evocassem a energia vital dos personagens e do ambiente social no qual actuavam.
Esta nova perspectiva antropocêntrica, fortalece o “ego” dos indivíduos que durante séculos foi reprimido pela religião de estado, que limitava a capacidade humana em função de um modelo teocêntrico, no qual o homem era apenas um espectador do operar Divino.
Diante desta realidade, a arte do retrato, tal como a assinatura caligráfica do próprio nome, em substituição dos carimbos que se usavam nos documentos, demonstrarão a consciência da “personalidade”.
Esta revisão de valores será a base de um primeiro humanismo, terreno no qual frutificará a recuperação da cultura clássica, potencializará as artes e as ciências, como sintomas de um percurso mental que se concluirá no renascimento italiano.
No contexto renascentista que distinguirá alguns centros do norte da península itálica e influenciará outras cidades através de intercâmbios, o retrato deixará de ser uma prerrogativa da nobreza ou da hierarquia eclesiástica, para consagrar indivíduos que desempenham uma função na engrenagem sócioeconómico, exaltando o poder de uma classe emergente.
Os retratos de homens de estudo, como o matemático Luca Pacioli, perpetuado por Jacopo de’ Barbari; o marinheiro que sorri de Antonello da Messina; o comerciante rodeado de cartas de Hans Holbein o jovem, ou autoretrato do artista em meio a um grupo de nobres como o que realizou Nuno Gonçalves, serão testemunhas imortais de um período de grande vitalidade intelectual e de consciência da própria potencialidade humana.
Estas imagens, além de valorizarem a semelhança física, exaltam a “personalidade”, através da expressão do semblante, da intensidade do olhar, da linguagem corpórea, da mímica dos gestos, dando particular relevo à posição da figura no ambiente e aos objectos ou símbolos que o identificavam socialmente.
A dignidade do individuo defendida pelas teorias filosóficas renascentistas, atenuam a questão da beleza e da fealdade. Embora, as idéias sobre os conteúdos expressivos da fisionomia, das classificações de tipos humanos em função das características harmônicas ou desarmônicas da alma, persistirão, e Leonardo da Vinci, será entre outros, um atento observador destas peculiaridades. Pois que, Leonardo compartilhava as teorias de Luca Pacioli, autor da De Divina Proportione, que defendia a tese na qual a beleza na natureza, tal como no corpo, na arquitetura e na tipografia, era regida pela “divina proporção”, o desvio deste conceito, gerava o desequilíbrio e a fealdade.
Porém a linha interpretativa que associava beleza à inteligência e integridade moral, em contraposição, a fealdade associada à estupidez e à decadência moral, expandirá-se-á no século XVI, através da linguagem expressiva das obras dos irmãos Agostino e Annibale Carracci. As inúmeras composições de teatralização caricatural e maneirística realizadas pelos irmãos Carracci, propunham retratos que revelassem o espelho da alma, o real caráter do individuo, por vezes dissimulados pelas máscaras das convenções e do poder.
Fig. 1)- Jan van Eyck (1390 – 1441)
Jan van Eyck.
O Homem com o turbante, (identificado como auto-retrato do artista), 1433.
Atualmente na “National Gallery”, Londres – Inglaterra
Fig. 2)- Jacopo de’ Barbari (entorno a 1440 – 1515)
Jacopo de’ Barbari, retrato de Luca Pacioli, 1495.
Matemático renascentista autor das obras Summa de arithmetica, geometria, proportioni et proportionalità e De Divina Proportione com ilustrações atribuídas a Leonardo da Vinci.
Atualmente no “Museo Capodimonte”, Nápoles – Itália.
Animação de uma gravura de Jacopo de’ Barbari, com panorama de Veneza realizado na modalidade vôo de pássaro.
Annibale Carracci. Mangiafagioli, Comedor de feijão 1584.
Atualmente na “Galleria Colona”, Roma – Itália.
Agostino Carracci. Desenho de nanquim sobre papel.
Atualmente no “Nationalmuseum, Estocolmo”, Suecia.
Segundo os históricos da arte, a caricatura nasce entre o final do Cinquecento início do Seicento no ambiente dos irmãos Carracci.
Annibale e Agostino junto ao primo Ludovico, realizavam retratos com a intenção de revelar o real caráter dos indivíduos, escondidos pelas mascaras das convenções e do poder.
Texto de Kathia Alves: Sou uma curiosa e atenta leitora de imagens, por isto sempre me dediquei a ela, como ilustradora, pesquisadora iconográfica e estudiosa da historia do livro ilustrado.
Para maiores informações sobre meu trabalho consulte os links:
Resumo do artigo: O retrato e a caricatura foram gêneros que sempre fascinaram o homem ocidental, como um espelho mágico que revela os segredos da alma.
No presente texto realizar-se-à uma brevíssima reflexão sobre o longo e lento percurso da representação da beleza e da fealdade no contexto cristão ocidental.
O Espelho Da alma
A partir da primeira cruzada contra os mouros convocada pelo Papa Urbano II ao redor de 1095/96, enraíza-se paulatinamente no mundo cristão ocidental, a ideia de que a beleza era emanação das virtudes da alma.
A conseqüência desta afirmação, é que os defeitos físicos, a fealdade e a diversidade dos traços fisionómicos de outras raças, eram sinais negativos da essência anímica.
Esta linha interpretativa afirma-se durante a Idade Média, através de imagens que falavam da beleza angélica e santificada, em contraposição às representações disformes ou burlescas dos vícios e de outras características humanas. Tais valores redesenharam a realidade, distinguindo e separando os indivíduos em dois blocos: belos e bons; imperfeitos e pérfidos.
Dentro desta dinâmica; hebreus, mouros e todos aqueles considerados diversos ou antagonistas aos modelos e aos valores morais da igreja, eram frequentemente representados pela sociedade cristã como figuras grotescas, personificação do diabólico.
As diferenças culturais, raciais ou fisionómicas, amplificadas pelas expressões das emoções, pelas mímicas dos gestos, unido ao preconceito de que as paixões da alma modelavam ou transmutavam a forma do corpo, colaboravam para enriquecer as mil faces do maligno, que se manifestava numa grande variedade de “imaginerias do demónio”.
Todavia, as figuras burlescas, anteriores ao século XV eram substancialmente alusões alegóricas dos estados idealizados da alma. Nas miniaturas e nos afrescos anteriores aquele período, não se encontravam nas figuras, uma verdadeira descrição do caráter do individuo, porém, identificavam-se sinais que evocavam a negatividade dos personagens. Somente ao final do século XV, quando a prática do retrato se transforma num verdadeiro gênero artístico, agregando sobre a estrutura “physiognomica”, uma série de outras informações como: perfil psicológico, condições culturais, temporais e espirituais, é que se projetará nos traços físicos dos personagens retratados a sutil essência do caráter.
A partir deste momento começam a surgir os “retratos ditos de carga”, assim chamados por serem carregados de conotações densas, que tinham como principal compromisso exaltar a negatividade, representando na maioria das vezes, danados sofrendo as penas do inferno, heréticos, carnífices maltratando inocentes, enfim, todos os matizes de degradações morais da humanidade.
Foi na Europa do norte, daquele período, onde o clima rígido constringia as pessoas à introspecção e à convivência em ambientes fechados, que se propagaram os retratos carregados pelas decadências humanas.
Olhos esbugalhados, sobrancelhas encarquilhadas ou arqueadas, bocas escancaradas e desdentadas, septos e narinas deformados, são algumas das características que distinguem os pérfidos algozes representados por Hieronymus Bosch na crucificação de Jesus.
Estes retratos que desejavam espelhar os vícios e as emoções da alma, foram a chave de um tipo de pintura que deu origem à caricatura.
Enquanto linguagem de representação da figura, a caricatura vem formalmente a luz no final do século XVI e nos primeiros anos do século XVII. Todavia, esta expressão figurativa inspirar-se-à nas obras do passado, em excelentes artistas do norte Europeu, como Albrecht Dürer, o velho Lucas Cranach, mas se deixará persuadir também pelos magníficos esboços críticos de Leonardo da Vinci, pelos estudos de Giambattista della Porta autor “De Humana Physiognomia” e outros fantásticos mestres observadores e estudiosos da natureza humana.
Desde da sua origem, a caricatura, mais do que a arte do retrato, assumirá uma função social de ressaltar as sombras da alma, as contradições do caráter humano e da sociedade que o homem constrói. Este género artístico, se alargará nos séculos nas formas de sátira de costume e sátira política, encontrando o seu esplendor nos traços elegantes de Daumier e de Toulouse Lautrec.
Fig. 1 – Leonardo da Vinci (1452-1519)
Leonardo da Vinci, caricatura de cinco cabeças, 1490. Atualmente na “Galleria dell’Accademia” de Venezia.
O desenho é talvez a forma de expressão artística mais conhecida entre o grande público e, por isso, a mais democrática. Seja nas tiras de jornais, nos animes japoneses ou nos estudos de Da Vinci, o desenho é e sempre será uma das formas mais apreciadas de arte.
A leitura que se faz de uma imagem dependerá sobretudo da cultura e conjunto de experiências sociais do observador podendo ser interpretada e sentida de formas diferentes por pessoas diferentes, cada qual com seu jeito de interpretar o que vê.
Da mesma forma ocorre com o artista. Ao criar o desenho ele pode expressar aquilo que sente, o que crê, o que almeja ou o que vive. É por isso, que vemos uma grande variação na forma e conteúdo dos desenhos ao longo da história e é por isso que um mesmo desenho pode despertar em pessoas diferentes sentimentos e até mesmo contrários.
Durante toda a história os desenhos foram usados tanto para distrair e entreter, quanto para provocar reflexões. As charges e os cartuns por exemplo são muito usadas pelos desenhistas para fazer críticas a situações do cotidiano ou chamar a atenção para temas importantes.
Outras modalidades de desenho são: desenho técnico, é aquele usado para projeção de peças e máquinas; desenho artístico, é o nome dado aos desenhos que fazem representações bastante realistas de pessoas, paisagens e objetos (na verdade fora o desenho técnico todas as outras modalidades de desenho poderiam ser chamadas de “desenho artístico”, porém convencionou-se usar a denominação para este tipo específico); quadrinhos, conjunto de desenhos que apresentam uma história real ou não através de imagens seqüenciais; ilustração, desenho usado para “dizer” através de imagens o que está escrito em um texto; grafite, desenho feito em fachadas e muros; animações ou desenhos animados, são desenhos projetados em seqüência de forma a provocar a ilusão de movimento das figuras representadas (tipo um filme); caricatura, desenho cômico feito baseado em alguma pessoa e que se parece com ela, geralmente a caricatura retrata apenas o rosto, se retratar também o corpo, ou seja, um quadro geral, chama-se cartum ou charge dependendo da situação; cartum (ou cartoon), desenho que apresenta um quadro geral e trabalha com temas universais (por exemplo, a piada da sogra); charge, desenho que pode apresentar um quadro geral, mas tem como tema um assunto específico e, na maioria das vezes, sobre algo real.
Atualmente, o desenho encontra formas de expressão e recursos muito mais variados. De materiais super tecnológicos (canetas digitais, editores de imagem, etc.) e locais inusitados (como o próprio corpo, embora isso já seja antigo) a temas polêmicos que tratam de problemas e pessoas reais ou fictícios, o desenho possui a capacidade de disseminar cultura entre todas as classes sociais. É por isso que é tão difícil encontrar alguém que não goste de desenho.
Rodin disse certa vez: " O meu Pensador não pensa apenas com o cérebro, com sua testa franzida,
as narinas abertas, e os lábios comprimidos, mas com todos os músculos de seus braços,
costas e pernas, com o punho cerrado e dedos dos pés tensionados. "
Afinal o que pensa o Pensador?
Pensa! O pensamento tem poder. Mas não adianta só pensar. Você também tem que dizer! Diz! Porque as palavras têm poder. Mas não adianta só dizer. Você também tem que fazer! Faz! Porque você só vai saber se o final vai ser feliz depois que tudo acontecer.
Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano "O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar" Racismo, preconceito e discriminação em geral; É uma burrice coletiva sem explicação Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união Mas demonstra claramente Infelizmente Preconceitos mil De naturezas diferentes Mostrando que essa gente Essa gente do Brasil é muito burra E não enxerga um palmo à sua frente Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente Eliminando da mente todo o preconceito E não agindo com a burrice estampada no peito A "elite" que devia dar um bom exemplo É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento Num complexo de superioridade infantil Ou justificando um sistema de relação servil E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação Não tem a união e não vê a solução da questão Que por incrível que pareça está em nossas mãos Só precisamos de uma reformulação geral Uma espécie de lavagem cerebral
Racismo é burrice
Não seja um imbecil Não seja um ignorante Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante O quê que importa se ele é nordestino e você não? O quê que importa se ele é preto e você é branco Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços Se você discorda, então olhe para trás Olhe a nossa história Os nossos ancestrais O Brasil colonial não era igual a Portugal A raiz do meu país era multirracial Tinha índio, branco, amarelo, preto Nascemos da mistura, então por que o preconceito? Barrigas cresceram O tempo passou Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor Uns com a pele clara, outros mais escura Mas todos viemos da mesma mistura Então presta atenção nessa sua babaquice Pois como eu já disse racismo é burrice Dê a ignorância um ponto final: Faça uma lavagem cerebral
Racismo é burrice
Negro e nordestino constróem seu chão Trabalhador da construção civil conhecido como peão No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia É revistado e humilhado por um guarda nojento Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói O preconceito é uma coisa sem sentido Tire a burrice do peito e me dê ouvidos Me responda se você discriminaria O Juiz Lalau ou o PC Farias Não, você não faria isso não Você aprendeu que preto é ladrão Muitos negros roubam, mas muitos são roubados E cuidado com esse branco aí parado do seu lado Porque se ele passa fome Sabe como é: Ele rouba e mata um homem Seja você ou seja o Pelé Você e o Pelé morreriam igual Então que morra o preconceito e viva a união racial Quero ver essa música você aprender e fazer A lavagem cerebral
Racismo é burrice
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista É o que pensa que o racismo não existe O pior cego é o que não quer ver E o racismo está dentro de você Porque o racista na verdade é um tremendo babaca Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca E desde sempre não pára pra pensar Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar E de pai pra filho o racismo passa Em forma de piadas que teriam bem mais graça Se não fossem o retrato da nossa ignorância Transmitindo a discriminação desde a infância E o que as crianças aprendem brincando É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica Ninguém explica Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural Todo mundo que é racista não sabe a razão Então eu digo meu irmão Seja do povão ou da "elite" Não participe Pois como eu já disse racismo é burrice Como eu já disse racismo é burrice
Racismo é burrice
E se você é mais um burro, não me leve a mal É hora de fazer uma lavagem cerebral Mas isso é compromisso seu Eu nem vou me meter Quem vai lavar a sua mente não sou eu É você.
Movimento principalmente americano e britânico, sua denominação foi empregada pela primeira vez em 1954, pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para designar os produtos da cultura popular da civilização ocidental, sobretudo os que eram provenientes dos Estados Unidos.
Com raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp, o pop art começou a tomar forma no final da década de 1950, quando alguns artistas, após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados Unidos, passaram a transformá-los em tema de suas obras.
Representavam, assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era a volta a uma arte figurativa, em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da segunda guerra. Sua iconografia era a da televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade.
Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, ela operava com signos estéticos massificados da publicidade, quadrinhos, ilustrações e designam, usando como materiais principais, tinta acrílica, ilustrações e designs, usando como materiais, usando como materiais principais, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real. Mas ao mesmo tempo que produzia a crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo, como aconteceu por exemplo, com as Sopas Campbell, de Andy Warhol, um dos principais artistas da Pop Art. Além disso, muito do que era considerado brega, virou moda, e já que tanto o gosto, como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, desmitificando, já que se utilizava de objetos próprios delas, a arte para poucos.
Principais Artistas:
Robert Rauschenberg (1925) Depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com jornal amassado do início da década de 1950, Rauschenberg criou as pinturas "combinadas", com garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados. Por volta de 1962, adotou a técnica de impressão em silk-screen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Esses trabalhos tiveram como temas episódios da história americana moderna e da cultura popular.
Roy Lichtenstein (1923-1997). Seu interesse pelas histórias em quadrinhos como tema artístico começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey, que realizou em 1960 para os filhos. Em seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais, e reproduziu a mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos. Empregou, por exemplo, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados das historietas. Cores brilhantes, planas e limitadas, delineadas por um traço negro, contribuíam para o intenso impacto visual. Com essas obras, o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as formas artísticas. Seus quadros, desvinculados do contexto de uma história, aparecem como imagens frias, intelectuais, símbolos ambíguos do mundo moderno. O resultado é a combinação de arte comercial e abstração.
Andy Warhol (1927-1987). Ele foi figura mais conhecida e mais controvertida do pop art, Warhol mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da celebridade. Da mesma forma, e usando sobretudo a técnica de serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell, automóveis, crucifixos e dinheiro. Produziu filmes e discos de um grupo musical, incentivou o trabalho de outros artistas e uma revista mensal.
NO BRASIL
A década de 60 foi de grande efervescência para as artes plásticas no pais. Os artistas brasileiros também assimilaram os expedientes da pop art como o uso das impressões em silkscreen e as referências aos gibis. Dentre os principais artistas estão Duke Lee, Baravelli, Fajardo, Nasser, Resende, De Tozzi, Aguilar e Antonio Henrique Amaral.
A obra de Andy Warhol expunha uma visão irônica da cultura de massa. No Brasil, seu espírito foi subvertido, pois, nosso pop usou da mesma linguagem, mas transformou-a em instrumento de denúncia política e social.
Entre 1508 e 1512, Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina, no Vaticano, um marco da civilização ocidental. Revolucionária, a obra chocou os mais conservadores, pela quantidade de corpos nus,possivelmente, resultado de secretos estudos de anatomia, uma vez que, naquele tempo, era necessária a autorização da Igreja para a dissecação de cadáveres. Recentemente, perceberam-se algumas peças anatômicas camufladas entre as cenas que compõem o teto. Alguns pesquisadores conseguiram identificar uma grande quantidade de estruturas internas da anatomia humana, que teria sido a forma velada de como o artista "imortalizou a comunhão da arte com o conhecimento". Uma das cenas mais conhecidas é "A criação de Adão". Para esses pesquisadores, ela representaria o cérebro num corte sagital, como se pode observar nas figuras a seguir.
BARRETO, Gilson e OLIVEIRA, Marcelo G. de. A arte secreta de Michelangelo — Uma lição de anatomia na Capela Sistina. ARX.
Considerando essa hipótese, uma ampliação interpretativa dessa obra-prima de Michelangelo expressaria
A o Criador dando a consciência ao ser humano, manifestada pela função do cérebro.
B a separação entre o bem e o mal, apresentada em cada seção do cérebro.
C a evolução do cérebro humano, apoiada na teoria darwinista.
D a esperança no futuro da humanidade, revelada pelo conhecimento da mente.
E a diversidade humana, representada pelo cérebro e pela medula.